Já reparou que quando a gente tá desesperado, naquele nível que não tem mais para quem apelar, a gente apela para o santo? Vira devoto fervoroso de tudo quanto é entidade? O mais religioso dos religiosos? Pede de joelhos, pede sentado, pede deitado, pede no banheiro, pede no carro, pede no busão, pede até quando não deve. Mas normalmente pede porque deve, mesmo. E muito!
Nessa hora, uma coisa que as pessoas costumam fazer muito, além de pedir, é subornar o santo. Dá-se a isso o nome de Promessa. Mas, cá entre nós, não deixa de ser uma forma mascarada de pagar propina pela graça alcançada.
E promessa para ser bem paga, tem que ter sacrifício! Senão o santo não gosta, não... Tem que largar o vício, tem que fazer esforço, tem que ajoelhar e rezar. Da porta da igreja até o altar. Duzentos metros. Ralando o joelho. Mas essa daí já tá bem batida. Se não for para abandonar o vício, o sacrifício tem que ser, no mínimo, bem criativo*.
E promessa é assim: todo mundo um dia faz. Quem nunca fez, um dia vai fazer. Não se engane, amigo. Seu dia chega. Às vezes, mais de um vez. O meu chegou. Foi justamente por essas semanas...
E como desgraça pouca é bobagem, não bastasse um problema para resolver, tive logo 2: cadê o kcete do vício para prometer que ia largar logo depois da graça alcançada?
Um ano sem sexo? Não dá, acabei de me separar.
Roer unhas? Já parei faz tempo e uso aparelho. Mesmo quando eu quero roer, não consigo.
Para de beber? Também não rola. Estou de de dieta faz tempo. Daí, não seria sacrifício, só parte do tratamento. E aí já inclui também o chocolate, o refri e todas as gordices gostosas que eu também já cortei.
Resumindo: fodeu!!!
Não tenho nem um cacete de um vício para pagar uma promessa.
Agora eu, que só tinha um problema - e que já não era pequeno - por causa da propina para o santo, acabei ficando logo com dois.
Sem muito o que fazer, o jeito foi dar um rolê na varanda do trabalho para arejar a cabeça. Tava ali... destraída, nervosa, ansiosa. Quando eu menos percebi, já tinha filado o cigarro de um amigo. E lá tô eu, fumando o tal cigarro...
Mas só até conseguir a graça almejada!!! Eu prometo!
Depois disso eu paro.
(*Na Basílica da Aparecida do Norte não faltam referências. #ficaadica).
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
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