segunda-feira, 12 de agosto de 2019

CARTA PRA NINGUÉM


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Me deixe sozinha com meus próprios pensamentos.
Me deixa olhar no profundo desses olhos castanhos diante do espelho
Me deixe ouvir o silêncio que ecoa no vazio dessas quatro paredes
Apenas deixe-me sentir ecoar a música que toca alto em minha mente.
São momentos raros de solidão e espera...
Aceitação e dúvida. Introspecção e Guerra.
Eu comigo mesma. Eu com esse você perdido na multidão...
Me pergunto em qual esquina meus olhos castanhos cruzarão os teus.
Me pergunto em qual sorriso, dos tantos espalhados pelo mundo, se esconde o seu.
Aquele mesmo que fará reluzir o meu...
Me pergunto entre qual desses rostos, entre os milhares que cruzam apressados o meu caminho, poderá estar o seu.
Seria aquele mesmo rosto que vejo em meus sonhos?
Teria você aquela mesma alegria juvenil, abrindo a porta da sala apressado, com um sorriso largo a me procurar pelos cantos de casa, sem perceber que eu estou bem ali atrás da próxima porta, escondida e ao mesmo tempo encantada por essa tua reação?
Teria você o mesmo amor, o mesmo nome, a mesma história?
Ahh meu imaginário e sagrado-coração... O amor-perfeito de uma vida cheia de imperfeições...
Em quantos sonhos já te vi? Perdi as contas...
Em quantos momentos te vivi? Já não sei dizer.
Em quantos dias te esperei? São tantos anos que nem sei...
E eu ainda me pergunto a cada manhã: até quando? Por quanto tempo mais?
É loucura insistir? O que mais tenho que fazer para você, em algum canto desse planeta, me sentir, me ouvir e gritar de volta em resposta a todas as súplicas que fazem os meus pensamentos? O que mais eu preciso fazer para que o seu coração escute ao chamado do meu? Promessas, juras, sonhos, canções, dias após dia te chamo das mais diversas formas. Me ajuda a te amar. Só vem. E não tarde mais do que o necessário!
Come on, baby, come on over
Let me be the one to show you

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O dia 1

O dia 1 é como qualquer outro dia. Amanhece igual, tem trânsito igual. A pessoa na rádio fala do tempo igual, exceto se para ela também é o dia 1. O dia 1 é dramático, é ansioso, vem carregado de um nervosismo-mudo-eufórico, que por mais que a gente tente evitar depois de tantos e tantos dias 1, sempre será igual. O dia 1. Quantas vezes me deparei com eles? Quantas vezes incentivei meus filhos a enfrentá-los, mesmo sabendo lá no fundo da alma que o medo os consumia tanto quanto a mim? O dia 1 não escolhe idade, nem cor e nem sexo... É 1 para todos. E acabou!
Mas não para a Cristina, claro!
Para a Cris, españolita cheia de personalidade que a vida me deu o privilégio de conhecer, o dia 1 é um verdadeiro ato de bravura!!!
Me lembro claramente d’eu chegar ainda sonolenta naquele - sei lá qual dia da semana - e me deparar com aquela menina esperta e cheia de vida se apresentando: “¡Hola! Soy Cris y es mi primer día”. Tomei um susto na hora. Eu não sabia quem ela era, o que ela faria ali, nem tão pouco que começaria alguém novo naquele dia.
Corri para acomodá-la o melhor possível e ligar para os meus chefes na matriz da agência, em outro ponto da Espanha, para saber o que fazer com a garota. Pouco tempo depois descobri que ela seria minha a estagiária. Eu não sei foi se pela simpatia dela ou pela empatia imediata, tratei de fazer do seu dia 1 o dia mais leve e comum possível. E assim fluiu igual nos dias 2, 3 e todos os outros até que, meses depois, eu resolvi voltar ao Brasil e encarar o meu próprio dia 1 aqui. Por sorte, Deus me abençoa tanto que esse dia 1 em uma nova agência veio rápido! E, dessa vez, não foi como os outros. Cheguei como a Cris. Fiz amigos rápido como ela. Me senti desde o dia 1 como se fosse o dia 365 - ou mais.
Agora, encarando um novo ano, um novo governo, esse novo momento que já não é o dia 1 do mês, mas o dia 1 de muita gente em muita coisa, inclusive dos meus filhos na nova escola do Brasil, de gente em seus novos empregos, em suas novas etapas de vida, meu conselho não poderia ser outro (se é que me cabe algum conselho): sejam como a Cris! Não se acanhem e nem tenham medo do desconhecido. E, se tiverem, passem por cima. O dia 1, no final das contas, acontece todos os dias das nossas vidas, a cada manhã que abrimos os olhos e não sabemos o que virá pela frente, por mais que a gente tente planejar e controlar o futuro!  E é isso. Feliz dia 1 todos os dias para cada um de nós.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Você me conhece? De verdade?


(Relutei muito em escrever esse texto, sobretudo por causa das pessoas que ele pode afetar, mas senti que precisava fazer isso)...
Aconteceu quando eu tinha mais ou menos uns 9-10 anos... Naquela época eu estudava em um colégio de freiras e ia para a escola de ônibus escolar. Todos os dias, as 12h, descia para esperar o ônibus junto com mais 2 coleguinhas da escola. Um que morava no mesmo condomínio que eu e se chamava Duani (ou algo assim) e este outro do prédio da frente, cujo nome meu cérebro bloqueou por completo. Os dois eram um ano mais velhos que eu... E todos os dias eram iguais. Enquanto o ônibus não chegava, a gente batia figurinhas, dava risadas com tonterías, éramos amigos e crianças. Até esse dia em que as coisas mudaram...
Era um dia de chuva e frio e o Duani, por algum motivo, não desceu. Estava atrasado... Então, ficamos ali na porta só eu e esse outro menino do prédio da frente. Como chovia e o prédio dele é um desses pequenos, sem porteiros e a entrada mais perto da rua, o menino sugeriu que a gente entrasse no Hall do prédio dele. Ali estaríamos protegidos da chuva, podíamos claramente ver o ônibus chegar e, nos esconderíamos do Duani que, ao descer, ia tomar susto pensando que havia perdido o ônibus... É... parecia uma boa ideia. E que mal tinha nela, não é mesmo? Eu conhecia o menino desde sempre... Da mesma escola, da mesma rua, do mesmo bus. Conhecia seus pais e sua irmã.
Só que não...
Quando entramos ali, o menino me atacou. Literalmente. Ele me jogou no chão e tentava a toda força arrancar a minha calça, enfiar os dedos em mim, arrancar a blusa. Eu tentava fugir ainda assustada e sem entender o que estava acontecendo. Queria gritar, mas o choque era tanto, que a voz não saia. Por que ele estava fazendo aquilo? Ele me machucou... e foi muito mais que fisicamente...
Quando consegui finalmente me desvencilhar desse menino, cansada, magoada, com a roupa abarrotada e a trança desgrenhada, vislumbrei que o Duani finalmente saia para a rua. Foi tipo um anjo. Saí correndo dali e gritando por ele. Mas claro... ele também se assustou e não entendeu nada. E eu não tive coragem de dizer nada. Me calei. E então o ônibus finalmente chegou e entramos calados. Me sentei ao fundo, isolada... Mas a história não acabou por aí! Não bastasse o ataque asqueroso, o menino entrou triunfante no ônibus contando a todos os outros, os mais velhos inclusive, que havia me “pegado”, etc etc... De repente vi todos apontando para a minha cara, rindo, xingando... Senti vontade de sumir, mas não podia. Estava em choque. Tive raiva de mim, nojo, culpa, vergonha... tudo ao mesmo tempo...Tive medo!!! Mas não podia contar para ninguém e então me calei. Daquele dia até o final daquele ano, me isolei por completo naquele ônibus... Passei a me sentar ao lado de um menino que tinha um certo retraso mental e por isso sentava afastado de todos os outros também... O nome dele era Abrahão, mas todos o chamavam de “abobrão”. Sempre que podiam, os meninos batiam nele e o ofendiam. Mas claro, só percebi isso depois, quando estava ali ao seu lado vendo o seu sofrimento e o da sua mãe que todos os dias enfiava o filho naquele ônibus com uma cara angustiada, que só agora eu posso definir como tal...
Bom, o tempo passou e sei lá se foi por algum sistema mágico do meu cérebro, essa história por anos e anos foi bloqueada da minha memória, assim como o nome desse menino. Eu soube anos mais tarde que ele morreu no meio da Avenida Anchieta... Parece que caiu ou se jogou de uma passarela, que havia de envolvido com drogas, enfim...
O fato é que recentemente fazendo uma análise da minha vida, das minhas escolhas, dos meus medos e inseguranças, analisando os tipos de relacionamentos que tive e tentando entender onde foi que eu errei e o que me fez aceitar tanta coisa que eu não queria e não quero, inclusive atualmente, essa história que estava apagada veio à luz na minha memória e me fez entender um pouco mais sobre mim... A Érika é chorona, a Erika é tonta, é medrosa, é corajosa, a Erika é... é... é... Pois é, eu sou. Mas muitas vezes eu não sou, também. E nem sei como ser. E tudo bem, porque somos humanos e a vida é assim...
A questão é que faz 3 dias que eu penso em tudo isso e me dá vontade de chorar, porque eu descobri que ainda tenho muita raiva de mim! E não quero mais que seja assim. Cansei! Estou cansada demais e já faz tempo. Cansada de relacionamentos tóxicos e vazios, de brincadeiras tontas, de ter medo e de achar que não mereço ser feliz. Cheguei à conclusão que já está mais do que na hora de parar de aceitar coisas que não quero, de dizer mais nãos e de “me permitir” relações mais saudáveis e uma vida mais feliz. E não é que estou escrevendo tudo isso porque quero sua pena ou compaixão ou o que seja... Não! Longe disso! Só estou colocando “pra fora” porque eu estou cansada de guardar isso e porque muitas vezes julgamos as pessoas sem saber que cicatrizes ela carrega na alma e que dores traz no coração. Assim que... se você puder, não julgue os outros. E crie seus filhos para serem da mesma forma. Para respeitar e não julgar. Simples assim! Não tire conclusões precipitadas sobre quem “é” esta pessoa, porque você nunca a conhecerá de verdade! Nem você mesmo se conhece de verdade! É claro que agora sim, você me conhece um pouco mais e eu também me conheço um pouco mais. Mas ainda assim, isso é muito pouco sobre realmente “conhecer”.
Então... não julgue. Nem você mesmo, nem os outros.

Madrid! Mi madrid, madrileña...


Madrid não tem praias, mas suas ruas tem um astral que lembra muito o centro velho de Santos. É cidade grande, mas nem por isso nos faz sentir pequenos. Tem umas cores, cheiros e sabores muito peculiares também. Um misto de fritura e tabaco, de perfume doce e suor. Sobretudo nesse calor infernal, já que o clima em Madrid é 8 ou 80 (literalmente). E falando em 80, Madrid é povoada de gente que veio diretamente dos anos 80, 60, 70, 90 e 2050... todas convivendo harmoniosamente bem aqui, em Madrid. Nesse velho-novo mundo, a língua materna é a de todas as mães. Inglesas, polacas, russas, chinesas, árabes e, às vezes, espanholas também. É incrível ver como todos se entendem nessa algazarra maluca... Sobretudo as crianças, que se adaptam muito rápido.
E ainda assim, apesar de todos os encantos, a grande realidade sobre Madrid, ou qualquer outra cidade do mundo, é que a vida fora do (nosso) país nao depende das belezas que existem na cidade que você escolheu, mas no quanto você mesmo é capaz de enxerga-las.
E é inevitável dizer que esses olhares mudam. A cada êxito ou a cada barreira que você encontra pela frente...
Até a semana passada, essa mesma Madrid estava cinza e feia. O ar carregado, pesado... Cogitei voltar ao Brasil, mesmo sabendo que isso significaria recomeçar do zero. Coisa que mais tenho feito nessa vida ultimamente... E heis que ao fim e ao cabo de mais um dia, a vontade passou e essa mesma Madrid se despertou mais calorosa e aconchegante. Mas não foi Madrid quem mudou. Fui eu. Em tempo de entender que, entre todas as mudanças possíveis, a mais garantida sempre será a mudança de consciência. E isso, amigos, não depende do lugar. Acontece com você estando aí ou aqui,em Madrid.
E é assim, que dia após dia vamos vivendo, tentando, caindo, levantando, superando a dor da saudade e o medo ao desconhecido...

sábado, 18 de agosto de 2018

O GRITO

Andei, meditei, estudei, rezei
Acreditei, tive fé, aprendi e ensinei
Hoje ajoelhada pergunto ao Senhor
Onde foi que eu errei?
A criança tem fome. A geladeira está vazia.
O trabalho começa cedo, igual todo dia.
Estou ausente. Mas sequer posso te  comprar um presente.
O sangue escorre entre as pernas. Absorvente já não tem.
No mercado o filho te pede um morango. Mas os trocados só dão para o leite do dia.
E amanhã já não sei...
Você engana... diz que os morangos ainda não estão maduros
 e lá no fundo é o seu coração quem se torna mais duro.
Tento chorar, não consigo. As lágrimas secaram.
É noite. Escurece lá fora e dentro de minha alma.
O que era amor se converte em dor. E que dor!
Injusto é olhar o outro e ver-se tão esquecido por Deus.
Mais injusto ainda é não ter um prato de comida sadia para os teus.
A criança tem fome. Sua alma tem sede.... quanta dor!!!
Esforço, me dizem... Eu sei bem o que é isso.
Desgosto também.
Nadei para longe, só para morrer ali, um passo mais além.
Olhar em volta é inútil. Busco sentido onde não tem.
Para que tudo isso? Não sei...
A cabeça vagueia culpando-se por mil coisas.
Mas o que fica é a pergunta engasgada no peito:
Onde foi que eu errei? Lágrima, já não tem...

domingo, 29 de julho de 2018

#Vivicidio

En tiempos donde el suicidio es tan trivial  y tan estimulado en redes sociales, doy mi contribución para que las personas sean más valientes en afrontar la vida con entusiasmo, más que estropearla. Porque esto cualquiera lo hace. Difícil es cometer el Vivicidio.
Por Kika Mateos

#VIVICIDIO. (para mis bebés Vini y Fefis)
Hay que ser muy valiente para cometerlo.
Es verdad que el mundo te dará muchos bofetones en la cara.
Que muchas veces te caerás y te harán creer que nos es lo suficientemente bueno.
Te animarán a desacreditar, a desistir, a parar.
Pero si cometes el Vivicício
Pronto verás que eres mucho más fuerte que el mundo.
Que cada tropiezo  te hará más valiente…
Aprenderás que  es imposible agradar a todos.
Pero que lo más importante es agradarte a ti mismo.
Y luego vendrán los primeros trazos de la pubertad…
El acné en la cara, la voz que cambia en los chicos,
Las primeras reglas manchando  tu pantalón blanco y haciéndote pasar
lo que supondrás ser la mayor vergüenza del mundo.
Los “amigos” van a ofrecerte un viaje sensacional con las drogas y el alcohol.
Pero si resistes a todo y cometes el vivicídio
Descubrirás entre risas que cada drama era solo una parte del plan
Para convertirte en un gran hombre, en una gran mujer.
Superarás una de las fases más desafiantes de la vida
Y lo harás con tu personalidad formada.
Descubrirás quien eres y porqué lo eres.
Pero no te creas que la historia termina ahí.
Con todos estos cambios, vendrán también nuevas y grandes responsabilidades.
Enfrentarás decepciones amorosas.
Tendrás que elegir la profesión del resto de tu vida – o al menos creerás que es así – sin siquiera saber qué quieres de comida para mañana…
Enfrentarás el desempleo, los boletos, el poco dinero , el peso de educar a tus hijos sin saber si estás o no actuando de manera correcta…
Pero si cometes el vivicídio
Descubrirás lo bueno que es hacer aquello que amas…
Conocerás el mayor amor del mundo en esta vida engendrada por ti.
Y serás más amado que nadie por este pequeño ser…
Puede que algunas veces en este camino, te sientas con miedo al futuro.
Que no estés tan seguro, o tan confiado…
Pero te cuento un secreto: esto nos pasa a todos, a cualquier edad. Así que…
Es normal. Es parte de la vida, de los que eligen el vivicidio.
Y se cometes el Vivicidio en cada una de estas experiencias…
Saldrás con el alma más grande y luminosa de lo que crees.
Serás por fin el dueño de tus sueños, de tu destino, de tu valentía. ¡¡¡Y lo sabrás!!!
Tendrás ganado el mundo, pero no solo esto…
Te habrás conquistado a ti mismo.
Y al fin y al cabo, de esto se trata la vida.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Del Brasil de los Mundiales al Brasil de Lula encarcelado…


Recuerdo cuando era niña la alegría que eran los Mundiales.
Recuerdo de  papá y otros vecinos haciendo el rateo de dinero para comprar tintes con todos los colores de nuestra bandera nacional. Luego, hacíamos juntos grandes dibujos en las calles y aceras, con banderas, bolas, estrellas, mensajes de optimismo y motivación para nuestra selección y producíamos unas banderas coloridas pegadas en cordel, que las colgábamos en toda la extensión de nuestras calles.
¡Todo era una gran fiesta!
Y me recuerdo que no era solo nosotros. En todas las ciudades, barrios, Estados… En cada rincón del país, todos hacían lo mismo. Nuestro país se convertía en un inmenso salón de fiestas, con la samba y el fútbol, ​​como siempre, uniendo a las personas.
Por un momento, todos  los problemas financieros eran olvidados. Las divergencias políticas se dejaban de lado.  Nuestras grandes preocupaciones eran en qué casa íbamos a ver los juegos, quién llevaría el cacahuete y quién iba a hacer la barbacoa...
¡Qué buenos tiempos eran ésos! En los días de  juegos, las empresas regalaban a los adultos sus días laborales como si fueran festivos. Me acuerdo de mi papá y mi mamá llegando temprano en casa, felices por el día todavía estar claro.
Para mí, dentro de la ilusión de mis 4 años, todo parecía un día de sábado en una tarde de verano. (Aunque en realidad los Mundiales suelen ocurrir cuando es invierno en Brasil).
Pero por fin, como ves, yo crecí.
Muchos Mundiales vinieron después de este, en especial.
 El último, incluso, fue realizado en Brasil.
¡Mira que conquista para mi país! El reconocido país del fútbol y de la samba, ahora siendo el anfitrión de todos los que aman al fútbol.  Pero los tiempos habían cambiado…
Yo misma ya no miro más con tanta ilusión y magia a la fiesta que antes poblaba de alegría mis memorias infantiles. Y creo que con el resto de los brasileños pasa igual...
Siquiera recuerdo si en este Mundial la gente se puso a pintar las calles o no. Sé si, seguro que no me tocó. Pero lo que recuerdo sí, es que la gente en nada se animó a celebrar como hacían antiguamente.  Unos incluso se negaron.
 El desempleo, la política, la súper facturación en la construcción de los estadios, además del precio alto de la carne para la barbacoa, nos impidió de celebrar con una gran fiesta como era la costumbre.  ¡Y peor, he! Tomamos un goleado de 7 a 1 para destrozar el encanto con llave de oro.
Ahora, justicia sea hecha… Tengo que decirles que tampoco ha sido un desastre completo recibir a los gringos en nuestro país. (Llamos gringos a los extranjeros).
En cuanto posible, entre una cazuela y otra siendo batucada en las ventanas de los edificios, o entre la predicción de una crisis eminente que arruinaría de vez nuestros planes y sueños (algo que luego sucedió), entre todo esto, abrimos las puertas de nuestro inmenso y lindo país y recibimos a la gente con todo el calor, sonrisa y la “malemolência” típica de los brasileños, como buenos anfitriones que somos.
De mi parte, les confieso que no topé con ninguno de los gringos por la acera, así que no hice nada extraordinario…  Pero sé bien que los que les toparon, nos representaron a contento y cumplieron con éxito la tarea de les presentar nuestras grandes riquezas más allá del futbol: la capirinha, la paçoca, la samba, el funk, la coxinha, la tapioca y el @Chapolinsincero. Bueno, podría añadir aquí también  el brigadero, los “fios dentais” en las playas, los vatapás y acarajés entre otras cosillas más, pero la lista quedaría demasiado grande.
Del hecho es que pasado el mundial, nuestras vidas quedaron igual a las calles después de un  día de elecciones. Hecho una mierda. Papeles por todos los lados (en nuestro caso, las facturas acumuladas con intereses altísimos)  y claro… Nadie sabiendo cómo hacer para limpiar toda la suciedad que día tras día solo hacía crecer… Hasta que llegó la Lava Jato.
El juez Sergio Moro, las verdades siendo explicitas, las cosas saliendo debajo de la alfombra.
No sé bien decir si la Lava Jato llegó limpiando o si tirando de una sola vez toda la mierda en el ventilador. El resultado, bien… ya lo saben. Y si no, todavía no pierden mucho…
Ya cuanto a mí, ajena a todo esto, agradecí a mí abuelo por la felicidad de regalarme la doble nacionalidad y, con una mezcla de alegría y pena, dejé mi  “primer” país rumbo a la segunda oportunidad.
Hice las maletas, dejé mis hijos para venir primero abriendo los caminos, superé el dolor de la añoranza y aquí estoy, intentando la vida en la ciudad grande, como decían nuestros pobres inmigrantes en Brasil.  
Empezar desde cero es un desafío que afronto a cada día. Sí que tengo mi trabajo, mi pisito y mis papeles en regla. Pero mira tú: una vida entera trabajando como copy en portugués y ahora tengo que reinventarme como  copy en España. ¿Fácil? Ni un poco.
Seguro que ya debes tener encontrado un par de errores a lo largo de esto texto. Pero vamos… Empezar desde cero no es nada de nuevo cuando tu propio (primer) país te tira todas las esperanzas a la basura, te dejando mucho más allá del menos cero.
Ahora han llegado a mis hijos. ¿La añoranza acabó? Quisiera. Hecho de menos a mis padres, mis hermanos, a mi abuela ya viejita que siquiera sé si un día volveré a ver.
Pero siento una paz en mi pecho que allí era imposible de tener.  Mientras tanto, confieso también que sigo un tanto dividida. Entre rogar a Dios que me garantice el día de mañana, que me permita encontrar un empleo que pueda cobrar un poquito más (gano 1/3 del sueldo de Brasil ya convertido para euros) y garantizarme un futuro sin deudas y entre recordar el pasado y contar cuantas y cuantas veces fue feliz en mi país y siquiera lo sabía… O sabía, sí. Pero no valoraba tanto cuanto debería. Es que ahora de lejos veo el Brasil que conocí a margen de un gran precipicio… Están acabando con el país y los sueños de los viven allí.
Pero bueno… Hay que mirar más adelante. Como siempre digo a mis hijos: el imposible no existe en nuestros diccionarios. Entonces, no pasa nada.
El artículo de hecho era solo para sacar una duda… Es que viene otro mundial por ahí ¿verdad?  Y mira lo bueno que es aquí… Los cacahuetes cuestan demasiado barato. La cerveza solo 1 euro. Hasta los anacardos brasileños  cuestan bien menos que en Brasil. Y aún tenemos el jamón (¡Ojo!  A mí,  los lomos de bellota son infinitamente mejor). Pues… ¿Será que van a pintar las calles también? Adornarlas todas con banderas de colores y…
¿Y ahora? ¿Voy vibrar por España o Brasil? Bien, si fuera por el Tite, sería Brasil. Pero por gratitud, sería España hasta el último pelo de mi cabello.
Ahora, pintar la calle y pedir un festivo… Es que ya no sé. En mi calle, por ejemplo hay todo tipo de extranjero. Son moros, chinos, búlgaros y otros que siquiera imagino. Pero españoles seguro que no son. Y hay españoles también, ¡claro!
Bueno… Pintamos la cara dentro de nuestras casillas. Mejor.  
Compramos la camisa que nos toca, contratamos un paquete de futbol en la tele y animamos el equipo que está ganando. Al final, hoy ya no me importa más el equipo que vence, sino revivir la alegría que dejamos perdidas en algún rincón del pasado, cuando la infancia era buena y simple.

Erika Mateos. Brasileña, española, publicista y pérdida en el mundo y en los recuerdos de una infancia feliz y lejana.