terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tempos modernos

Patrão: - Ela estava peiteando um aumento de salário.
Amigo do patrão: - Pleiteando, você quer dizer?
Patrão: - Não, peiteando mesmo! E eram tão volumosos que eu quase dei.

Mal do século

Foi comprar ginkobiloba, mas esqueceu a receita.

Frase Books for Eu Mesma 12

A ignorância é uma benção. O problema é o desgraçado que tem que lidar com o abençoado.

Frase Books for Eu Mesma 11

Entre a inteligência emocional ou racional, prefira a cara de pau.

Frase Books for Eu Mesma 10

Não espere nada de ninguém. A surpresa é sempre melhor que a decepção.

Frase Books for Eu Mesma 9

A vida só vai pra frente quando deixamos os velhos hábitos para trás.

Frase Books for Eu Mesma 8

De que adianta saber que escola não é com i, se o meu peito não é de silicone?

Frase Books for Eu Mesma 7

Fazemos o que podemos, com aquilo que não temos.

Frase Books for Eu Mesma 6

O pior de todos os tempos é o tempo perdido.

Frase Books for Eu Mesma 5

Certos homens são como mormaço: parece que não queima, mas queima.

Frase Books for Meu Pai

Não estou perdido, estou descobrindo novos caminhos.

Frase Books for Eu Mesma 4

Paciência é uma virtude que se adquire na marra.

Frase Books for Eu Mesma 3

Qualquer coisa pode ser qualquer coisa desde que se tenha uma boa filosofia para explicar a coisa.

Frase Books for Eu Mesma 2

Toda verdade absoluta é uma mentira bem fundamentada.

Frase Books for Eu Mesma 1

Quem tem pressa come crú, quem tem filho come frio.

SPC

Caríssimo Sr. SPC, Serviço de Proteção ao Crédito, quem é você exatamente? Por que você anda me ligando tanto? Sempre imaginei que, exceto a Ana Maria Braga e a Whitney Houston, as pessoas não costumavam ter, assim, tanta intimidade com seus protetores.

Agora vocês não só me ligam todos os dias, como sabem meu endereço, cpf, rg, tipo sanguíneo, comida predileta e quanto eu devo na praça! E me cobram ainda por cima!!!

Bom, então vamos esclarecer uma coisa: quem tem que proteger o crédito aqui, são vocês, não eu. Então, que culpa eu tenho se o meu crédito ficou totalmente desprotegido? Desprotegido de juros absurdos,  daquela chatinha das Lojas Renner que me liga com sotaque paranaense e, muito pior, daquele outro cara das Casas Bahia que uma vez por semana vai tomar um chá lá em casa e me entregar um bilhetinho com o telefone dele dizendo que é cobrança. E olha a tamanha ingratidão: o chá que eu sirvo é de graça!!! Com açúcar e sem juros.

Por fim, essa carta tem o caráter de um pedido formal para que vocês não me liguem e nem me incomodem mais. E caso queiram insistir, já aviso de antemão que não vou atender. Não que a minha paciência já tenha se esgotado completamente com a fanha das Lojas Marisa ou com aquela voz que eu ainda não sei se é de homem ou de mulher do cartão Hipercard, mas o fato é que eu realmente não posso atender. Estou com os telefones de casa e celular cortados.

E nem pensem em ligar na empresa. Acabei de ser demitida.

Atenciosamente.

M.M.F*

(mulher muito ferrada)

Espera

Espera 9 meses pra nascer. Espera a mamãe chegar do trabalho, espera o coelhinho da páscoa, espera o dia das crianças, espera a festinha de aniversário e espera também o Papai Noel.

Espera a aula começar, espera as férias chegar, espera a catapora sarar e espera o idiota do Renatinho olhar. Espera ônibus, espera a formatura, espera o resultado do vestibular, espera os 18 anos completar. Espera as prestações do primeiro carro acabar e espera também o mecânico liberar, depois de 2 horas a esperando o guincho levar.  

Espera a colação de grau, espera o reconhecimento profissional, espera o homem certo pra casar, espera ele comprar cigarro até se convencer de que ele não vai mais voltar.

Então, espera para se recuperar, espera o Florentino se declarar, espera pra ver se ele não vai te enganar, espera o financiamento do BNH e espera o Juninho chegar. Nove meses depois, espera ele sentar, espera ele andar, espera ele falar e deixar de mamar. Espera o dente nascer, das fraldas sair e a chupeta cuspir.

Espera na porta da escola, espera na casa do amigo, espera o boletim pra saber se estudou e na porta da balada para ver se terminou. Então, espera uma namorada boa pra ele sossegar e espera que Deus vá ajudar.

Espera a aposentadoria validar, o filho casar, o neto nascer e o marido enterrar. Espera o inventario sair, o Juninho partir e a sua carta do exterior chegar.

Espera a novela e o novelo acabar quando aprende a tricotar. Espera a idade passar, o médico visitar e a receita para a dor nas costas aliviar. Espera a farmácia entregar, a bisneta visitar e o moço do asilo levar.

- Espera...Espera...Era Esperança o nome dela, né?
- Era. Coitada....

- Morreu velhinha, né? Tinha uns...quanto? Noventa e poucos?

- Cento e vinte e dois...Coitada.

- Nossa, bem que dizem que a Esperança é a última que morre, né?

- E nunca reclamou um A da vida. Coitada...

E nessa hora uma ligeira sensação de que o caixão havia tremido perturbou os mais próximos. Era ela! A espera da entrada no céu, morta, de novo, de raiva pelas infelizes últimas palavras proferidas por aquela sei-lá-quem no seu velório. Mas dessa vez ela não ia esperar pra falar. E gritou lá do fim da fila, da última nuvem, do fim do último corredor do céu:

- Eu posso até ser a última que morre, mas que eu vou ser a primeira dessa merda de fila a enfiar a mão na cara do filha da puta que inventou essa porra de ditado, isso eu vou!!!

- Humm, bem lembrado Dona Esperança! - era a maldita cegonha passando bem na hora por ali - Aqui no céu os últimos sempre são os primeiros. Não se preocupe mais! É hora de nascer primeiro que todo mundo em uma linda família.

E assim a Esperança se foi com seu último grito, agora um chorinho rouco de recém nascido, entalado na garganta pelo peso da revolta enquanto pensava inconformada.... Aquele bofetão ia ter que esperar.
   

Revelação

A revelação

Como todas as grandes revelações da vida, essa também foi daquelas que acontecem bem rápido. Tipo um twin que bate em um momento X de um dia Y, ou um Plantão da Globo que pula da TV na sua cara bem no meio da novela.

A dela, veio numa manhã comum como todas as outras, saindo mais uma vez atrasada de casa para o trabalho.

Depois de 8 anos de profissão, trabalhando com propaganda, ela descobriu, finalmente, que a sua vida não era nem de longe um comercial de margarina.

E tudo porque foi abrir a geladeira pra pegar um Todinho!

Foi nessa hora, nessa maldita hora, que ela se deu conta, quase sem querer, de que ELA ainda estava lá.

Linda. Intacta. Fechada. E simplesmente vencida. Há exatos 2 anos, 8 meses e 3 dias. A margarina!

E assim, como todas as grandes  revelações da vida, essa também foi esquecida bem rápido. Quando, quase como um consolo, ela também se deu conta de que gostava de requeijão.

Mas que amanhã ia ela ia ver se o requeijão estava vencido, isso ia!!!

Quer dizer, se desse tempo, claro...

Sono

Que seja eterno enquanto eu durma.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Hora da Verdade 2: Afasta Quarteirão

Era só uma criança de 4 anos. Acreditava na vida, na felicidade e na sinceridade das pessoas. Acreditava no amor e jamais, nunca, na mentira dos homens. Até que um dia, naquela tarde ensolarada de sábado, aparece sob sua árvore predileta aquele em quem ela sempre confiou, admirou e adorou. O irmão mais velho!

Sangue do seu sangue, e cabelo joãozinho do seu cabelo joãozinho (um trauma pra outra história…) vindo salvá-la mais uma vez da inevitável queda, tirando-a a da árvore que ela teimava em subir, mas nunca sabia descer.

Exultante que estava, não pensou duas vezes em subir na garupa da sua própria Cecizinha rosa, pilotada naquele momento por seu grande ídolo. Aquele que até então só lhe dera alegrias, além das mamadeiras de todas as tardes e horas e horas de diversão enquanto fazia-se passar por seu cavalinho de estimação em seu gigantesco pasto, o velho tapete verde da sala.

Naquele dia, entretanto, algo mudou entre eles. A confiança, essa pedra de diamante que uma vez quebrada jamais se recompõe, haveria de ser quebrada em apenas alguns minutos. E assim aconteceu. Tudo por causa de uma aposta, de uma exibição e de uma palhaçada sem-tamanho dos meninos da rua de trás, ajudados, claro, por aquele bueiro fedido, nojento e sempre destapado que esperava algum dia pela queda do velho Catulino durante mais uma das suas bebelanças no bar do Bento.

Mas o fato é que, naquele dia, justamente naquela manhã em que tudo parecia lindo, a vítima não fora o Catulino. E sim a pobre menina! A pequena e inocente criança que, induzida pelo irmão, adentrou junto com ele ao bueiro, acreditando piamente na história de que, ao fechar os olhos por alguns segundos, ambos o abririam depois de um tempo e estariam no Japão.

Um Japão que para a garota se materializou em sua primeira grande e traumática desilusão. Olhos abertos e assustados, a sensação de sentir-se enganada se tornava ainda maior somada ao terror de notar que nada, além das mesmas baratas de antes, havia por lá!

Sem Japão, sem olhos puxados e sem o próprio irmão por perto, tudo o que podia ouvir eram seus soluços em um choro amargurado, os tic-tics das milhares de baratas nos seus pés e, muito ao longe, as risadas dos garotos direcionadas todas, obviamente, para a sua dor.

Claro que, arrependido pela atitude sórdida, seu irmão mais velho mais do que depressa a retirou de lá. Tentou se desculpar, dizer que era tudo uma brincadeira, mas o trauma nascido ali cresceu dia-a-dia em seu íntimo tomando a forma de uma grande descrença nas coisas lindas e inquebráveis da vida, como a confiança plena nas pessoas. Mesmo naquelas que mais amava.

E assim ela cresceu. Sem medo de falar o que pensava, de escrever escatologias em seu blog, de ser totalmente anti-romântica ainda que estivesse diante de um daqueles deuses gregos indispensáveis. O que, aliás, para ela jamais existiu, já que conseguia ver mesmo nesses “ai, ais” a parte mais anti-romântica e desinteressante logo de cara – um truque de sua imaginação, lógico, para não se deixar levar pela ilusão do amor.

E é claro que como tudo nessa vida, a postura da menina adquirida à fórceps naquele sábado ensolarado, também teve suas conseqüências além do próprio trauma.

O fato é que, independente do lugar ou da situação, ela sempre era como era, falava o que falava e sofria as conseqüências fosse como fosse, carregando o peso eterno de ser ela, em meio a tantas mulheres “arrasa quarteirão”, a única capaz de tornar-se por sua própria conta, risco e palavras desmedidas,  a verdadeira  “AFASTA QUARTEIRÃO”...

Culpa sua? Do trauma? Do irmão? Há um dia o Sr. Freud que explicar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Hora da verdade 1: Quando a vida privada e a vida na privada vão pela mesma descarga.

Desde pequena, principalmente nós que somos mulheres, sempre aprendemos lá no capítulo 3 das boas maneiras que soltar um “pum” em público é um dos maiores crimes contra a moral e os bons costumes do planeta!

Além de nojento e mal cheiroso, o pum fora de hora pode causar danos fatais ao encanto do casamento, das amizades, do tão sonhado reconhecimento profissional e de qualquer outro tipo de relacionamento social que se possa ter. Mas, o que fazer quando não se nasce com uma rolha na porta de saída?

Bom, segundo a minha mãe, com toda a sua polidez e educação européia, a resposta é bem simples e categórica: pum é só dentro do banheiro. E não se fala mais nisso!

Assim crescemos, resignadas, acreditando que ainda há, ao menos, uma única salvação: o banheiro! E haja o que houver, doa o orifício que doer, há sempre que se cumprir à risca tal regra. Seja o banheiro a 2 metros ou 2000 km de distância.

Claro que nem sempre isso é possível. E como toda regra tem sua exceção, depois de esgotar todas as técnicas inimagináveis de pompoarismo lado B, sempre acabamos apelando para disfarces do tipo cara feia pro colega do lado, saída pela esquerda, cara de “não sei quem fui” e tudo, obviamente, sem descer do salto. Afinal, a segunda parte da lição lá do capítulo 3 era nunca, jamais, em hipótese alguma, revelar a qualquer pessoa que você faz cocô.

- Imagina, só!  - Dizia mamãe. - Uma mulher cagando. Que coisa mais inadmissível!!! E pum é só no banheiro, hein!

E agora, em pleno mundo da propaganda, onde, enquanto na criação roteiros novíssimos saem do forno dizendo que o iogurte ajuda você a fazer cocô da forma mais  natural do mundo, fazendo do seu intestino um verdadeiro reloginho, eis que eu vejo todas as questões de uma vida inteira de fase anal mal resolvida (se não sabe o que é, estude Freud) caírem por terra. Ou melhor, descendo descarga abaixo.

E tudo por causa do banheiro da agência! Público!!! Com quatro casinhas uma de frente para a outra e portas que fazem questão de deixar seus sapatos à mostra.

Gente, cadê, peloamordedeus, o cabimento em tudo isso? Mãe, me ajuda nessa hora!!! Em que lição estava a parte que eu perdi que dizia que posso soltar pum só no banheiro, se é exatamente esse um banheiro onde todo mundo vai saber que eu peidei? E pior, que tive aquele piriri desgraçado onde me derreti toda com barulhos involuntários vindo de toda parte que se desintegrava dentro de mim? E sem ao menos a misericórdia de uma porta que não revelasse os meus pezinhos aflitos esperando o banheiro esvaziar para poder sair, de novo, como se nada tivesse acontecido. Mesmo sabendo lá no fundo que, depois de tudo, provavelmente a agência inteira já saberia....

E se por acaso ainda houver alguém lá dentro? Poderia eu simplesmente sair e dizer, com a cara mais feliz do mundo: “Puxa, não é que o iogurte é bom mesmo?” Ou a clássica: “Nossa, tá um cheiro estranho aqui, né? Será que tem vazamento no esgoto?”.

É, minha gente! Depois da tristeza de saber que fomos a vida toda doutrinadas pelos pudores de nossas mães que nunca viram um banheiro de agência, e essas, de nossas avós, que provavelmente nem cagavam de tanta vergonha, a verdade é uma só. Ou melhor, são 2.

Primeira: Uma hora ou outra todo mundo caga nessa vida. E feliz são os homens que podem fazer isso enquanto zoam um com o outro dentro do banheiro, medindo o tamanho da “obra”, a densidade do cheiro e o volume do peido, como se tudo fosse um grande troféu.

Segunda: Não importa o que a propaganda diga sobre o intestino funcionar como um reloginho ou sobre a eficácia do produto, ainda que essa mesma propaganda seja criada dentro do seu ambiente de trabalho. O melhor mesmo é nem tomar. Afinal, em agência onde o banheiro mais parece cidade do interior, que você dá um peido e todo mundo fica sabendo, encontrar uma mulher em pleno momento de aperto e piriri, soltando puns, destroços, alface e o milho de ontem é sempre uma merda. Literalmente.Principalmente se, no caso, essa mulher for você!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Era uma vez...

Sabe qual a diferença entre as histórias de faz-de-conta e as brincadeiras de faz-de-conta? É que ao contrário das histórias, as brincadeiras nunca acabam no "viveram felizes para sempre". A gente simplesmente junta as Barbies e os acessórios nas caixinhas e vai, cada uma pra sua casa, felizes e contentes por mais um dia em que as horas passaram voando enquanto a imaginação nos permitia ser quem quiséssemos. E com a certeza, no fundo da alma, que no outro dia sempre haverá a chance de recomeçar. Com outra brincadeira, com outra história...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ciúme

Tinha tanto medo de perder que ele mesmo a botou pra fora.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O amor é lindo!

Gente, se tem uma coisa que eu acho super romântico num cara, é ele presentear a mulher com roupas íntimas. Meu marido mesmo, me dá esse presente todos os dias. Uma cueca suja pra lavar.

#Red

Eles se conheceram na balada. Atração à primeira vista. Confiavam um no outro como se já namorassem há anos. Até que no 15o. encontro, surge o assunto:


- Má, sabia que hoje é o dia mundial de combate a Aids?
- Sério Jú? Putz, ainda bem que você me disse.
- Ué, porque Amadeu? Vai fazer alguma coisa pra colaborar com a campanha?
- Claro querida! Hoje a gente só transa de camisinha.

É Veríssimooooo

Gente, desde mais nova (e não vou dizer pequena, porque naquela época eu já tinha os mesmos 1m59), sempre gostei de ler Luis Fernando Veríssimo. Achava ele super engraçado. Li o Comédias da Vida Privada 1, li o 2, emprestei os 2 e, obviamente, estou esperando há anos a pessoa me devolver os livros. Depois disso, ainda comprei o "O melhor das comédias da vida privada" que era um compilado dos livros 1 e 2, com uns contos inéditos que mesmo depois de ler 5x eu não descobri quais eram.

Agora, há não muito tempo atrás, lendo "Mentiras que os homens contam", confesso que toda a minha admiração pelo Lú ficou bem balançada. Sabe, tipo relacionamento em crise?
E tudo isso não pela sinceridade cafajeste do livro, mas porque eu descobri que todos os milhões de livros são sempre as mesmas crônicas apenas separadas por títulos diferentes. O que quer dizer que, na verdade, ele só fez 2 livros autênticos e inéditos, ganhou uma puta grana com eles e, não contente, ainda conseguiu transformar os 2 em 200. E o pior é que agora eu não sei se o odeio por isso ou admiro ainda mais. Afinal, o que é a multiplicação dos pães perto de um cara que consegue fazer sutilmente a multiplicação dos livros e das cifras na sua conta bancária?

Buen...Depois da descoberta, o fato é que agora que já li tudo o que podia sobre o Vê, vou ter que me contentar com outra série inédita. E como não achei nada que me atraísse tanto, resolvi me inspirar no próprio Lú, e no Zé, que consegue inovar fantasticamente no Stand up falando de pandas, enquanto os outros seguem o clichê "tô puto com isso, tô puto com aquilo e fumo maconha", e escrever os meus.

Assim, depois de todas as justificativas, e deixando claro para o DADO que isso é apenas um texto, lá vai o primeiro continho. Acho que podemos chamar por enquanto de "Verdades que as mulheres contam"...
(Claro que depois que eu tiver vários, vou pensar melhor em quantos livros e títulos diferentes ele pode entrar. Afinal, se o Lú conseguiu por ser Veríssimo, quem sabe eu tbm não tenho uma chance por ser Mateos, né?).

Sinceridade é algo que se aprende desde de cedo.


"Querido, acordei com uma vontade de fazer aquele amor gostoso hoje"
"Hummm, querida, só se for agora..."
"Jura????"
"Ahãn"
"Oba!!! Carlão, pode sair do armário"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O conto

(Mais uma de casamento, só para comemorar esse dia tão especial)

Primeiro o cara roteirizou "O conto do vigário”. Um blá, blá, blá com juras de amor e fidelidade na alegria e na tristeza até que a morte os separe. Aí o papo foi ficando tão sério, que ele resolveu renomear o arquivo para “Cerimônia de Casamento”, com direito a ensaio e tudo, e uma pré-estréia chamada “curso de noivos”. Por fim, a peça ficou tão convincente que até hoje um monte de gente cai.
No conto do vigário. Não!!! Quer dizer, no casamento.
Bom, é tudo igual.

Avarento? Será?

Que o Flávio era mão fechada todo mundo sabia.  Na verdade, com o passar dos anos a turma até acostumou...

Era ele que sempre propunha dividir o preço da pizza em pedaços para cada um pagar só o que comeu, comprar vinho Natal em vez do Cabernet Souvignon Chileno, que era o preferido em ocasiões especiais, ou ainda, fazer a esfiha em casa para economizar os 0,10 centavos de diferença.

Era ele também que nunca saia com seu carro nos finais de semana ou feriados. Não por superstição, mania ou algo assim, mas porque ele tinha certeza absoluta que os borracheiros de plantão ficavam à espreita de pneus furados só para cobrar o dobro do valor do conserto nesses dias.

Mas o que ninguém sabia, era até que ponto aquele escorpião poderia ser perigoso em seu bolso.

Começou quando a Mariana, sua única esposa e sem filhos, porque para ele não tinha nada mais caro que amante e filhos, foi para a Santa Casa de Misericórdia com aquela dor aguda na barriga.

Desde esse dia, ele nunca mais foi o mesmo!

Como era de se esperar, a doença já estava bem avançada. Ela nunca se tratara porque sabia que ele jamais admitiria gastar o dinheiro em remédios de cartela cheia. Em alguns casos, ela até convencia o farmacêutico a vender os comprimidos avulsos, mas na grande maioria das vezes, se contentava com o chá de boldo sem açúcar, que também tinha gosto de remédio.

Nessa época do hospital, já fazia uns 6 meses que ela estava internada. Recebia medicamentos do governo para suportar seus últimos dias de dor, enquanto ele esperava os horários de visita em casa, abatido e pálido. Quase não comia, não bebia e nem mesmo falava...

Mas de uma coisa ninguém pode falar: tirando os sábados, domingos e feriados, ele nunca faltou a uma só visita! Exceto naquela quarta-feira, o fatídico dia em que o estado da Mariana se agravou e ela finalmente descansou...

Na tarde anterior, o médico já tinha alertado ao Flávio. Pediu para que ele se preparasse para o pior e já procurasse um agente funerário para que ao menos a moça tivesse um enterro digno de sua resignação. E desde aquela tarde, ninguém mais viu o Flávio.

A notícia chegou por volta das 3h da tarde, na quarta-feira, na minha casa. Larguei as compras do mercado de qualquer jeito pelo chão e fui correndo atender ao telefone que não parava de tocar.

Era a enfermeira do hospital. Impaciente!
Depois de 36 tentativas de ligações sem sucesso para a casa do Flávio e 42 recados no celular, que ele sempre deixava desligado para não gastar a bateria, ela simplesmente despejou a notícia sobre mim quase como um xingamento. Sem dó, nem piedade.

Foi então que a busca começou. Juntamos toda a turma na porta da casa do Flávio para tentar descobrir onde ele poderia estar. Uns queriam ir para o bar, com a desculpa de procurá-lo. “Ele pode estar afogando as mágoas”, dizia o Fonseca e o Carlão.

Já a Cris insistiu que ele deveria estar na igreja. Afinal, depois de tanta avareza, ele no mínimo deveria estar pedindo perdão por não cuidar da mulher tão bem como prometera.

Mas, o mais infalível mesmo foi o Beto que, vendo o carro na garagem, resolveu pular o muro para saber se encontrava uma pista mais concreta. E achou!

Caído sobre a escrivaninha, em meio a orçamentos de funerárias, jazigos, coroas e caixões, lá estava ele... De olhos semi-cerrados, com o tiro certeiro de uma única bala.

O susto do primeiro impacto só não foi maior que o do segundo. Quando, em meio a toda aquela papelada, o Beto encontrou um pequeno bilhetinho em baixo da inseparável calculadora do Flávio:

“O primeiro que chegar paga a conta!” , ele dizia.

E sem mais palavras, pra economizar.

As entrelinhas da Amélia

Certo dia nosso finado Mário Lago, junto com seu coleguinha Ataulpho Alves, resolveram escrever uma clássica música para uma querida empregada de anos e anos. E... Adivinhem quem era? Sim, ela mesma!!!A própria, a saudosa e a única mulher de verdade: Amélia.

Pois bem. O problema é que depois dessa singela canção – que ressalto: era para a empregada dos caras e não para suas esposas - o resultado acabou sendo um catastrófico aborrecimento às mulheres casadas que, além da casa, também se dedicam aos filhos, ao trabalho, às contas e a guardar os chinelos deixados em qualquer canto pelo marido machista e fanático por futebol.

Claro, não vou negar a parcela de culpa dessas mulheres em escolher um parceiro assim. Muita gente pode dizer que elas já sabiam o que estavam fazendo e como o cara era antes de casar. Mas há um porém, e que pode justificar tudo em favor dessas mulheres, especialmente as que se casaram cedo: o fato de que não houve no momento do SIM uma santa alma que a lembrasse de uma afirmação básica da ciência: as mulheres, na grande maioria das vezes, amadurecem muito mais rápido do que os homens. E no caso dos mimados e machistas, vertiginosamente mais rápido, já que como eles mesmos vivem dizendo enquanto coçam o umbigo: (arroto) sou assim e não vou mudar.

Por esse motivo, e nada contra a homenagem dos compositores, acho que está na hora de esclarecer algumas verdades sobre a Amélia (a Amélia versão esposa dos machistas). Não que elas sejam de fato comprovadas, mas já que a idéia é espezinhar....Amigas, vamos revelar umas coisinhas básicas na história. Claro que não vai servir para nada. Mas, pelo menos da próxima vez poderemos dar boas risadas em segredo quando algum bobão tiver saudades da pobrezinha e santinha da Amélia.

Bora lá!

Nunca vi fazer tanta exigência
(é que folgado normalmente não se toca)
Nem fazer o que você me faz
(O quê??? Pedir uma ajuda em casa é muito?)
Você não sabe o que é consciência
(Pois é, se soubesse nem casava)
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
(Pobre sou eu, que ainda te agüento)

Você só pensa em luxo e riqueza
(O mínimo que eu posso pensar depois de tanto trabalho)
Tudo que você vê você quer
(E olha que mágico: compro com o meu dinheiro!!!)

Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
(Concordo! Todo machista merece uma)
Aquilo sim é que era mulher
(E que mulher! Dava três, com três diferentes e ninguém desconfiava)
Às vezes passava fome ao meu lado.
(É que você nunca reparou no padeiro atrás do armário.)
E achava bonito não ter o que comer
(Isso é verdade, ela sempre preferiu ser comida)
E quando me via contrariado
(Disfarçava pra ver se não tinha dado nenhuma gafe)
Dizia: Meu filho, que se há de fazer
(Ela era a mestre do disfarce, fala sério!)

Amélia não tinha a menor vaidade
(Pra que, se ela nem precisava de muita roupa?)
Amélia é que era mulher de verdade
(Que o diga o padeiro, o encanador e o eletricista)
Amélia não tinha a menor vaidade
(Ok, ela escondeu bem aquela calcinha vermelha)
Amélia é que era mulher de verdade
(E como era! Depois de tudo ainda fazia você se achar o Rei Leão da casa)

É isso aí queridonas. Depois de um dia inteiro de trabalho, filho pra cuidar e casa pra ajeitar, deixa que eles arrumem suas próprias Amélias pra pegar a cerveja, servir jantinha no prato ou buscar a toalha, ou então, melhor ainda, deixa na saudade que de vez em quando é bom pra dar valor.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poeteiros

(Inspiração pós-férias. É isso que dá retornar à vida no proletariado)



Sempre achei poesia interessante. Mas confesso, e talvez isso seja um atentado ao pudor cultural, que nunca foi pela mistureba de palavras que jamais entendi ou sequer tentei. É claro que palavras floreadas são lindas, quanto a isso não há dúvidas - e me refiro a cada uma delas isoladamente -, mas o fato é que depois de ler tantas poesias (o que agora eu posso fazer com ainda mais frequência e sem muito esforço nas paredes do metrô), o que mais me fascina são as conclusões a que os próprios poetas me fizeram chegar.

A primeira: comecei a acreditar que muito provavelmente partiu daí a idéia de se lecionar cursos de psicologia nas universidades.

E a segunda, mais óbvia: que tudo não passava de um muito-criativo-e-funcional disfarce às cantadas baratas. Um jeito mais do que cafajeste e típico dos homens de se fingir morrer de amor só para desvirginar a pobre moça criada sob 6 espartilhos, 10 saias, 1 véu e um cinto de castidade com o único sonho de ser uma esposinha submissa e uma boa mamãe. Aliás, essa é que mais me convence. Afinal, a obsessão masculina para levantar as 10 saias pode muito bem ser interpretada ingenuamente pelo próprio cara como um amor doentio. Coisa que obviamente só durava até ele descobrir, depois de conseguir, que tudo não passava de um simples capricho do seu ego masculino.

E então, lá seguia ele novamente, o nobre poeta, deixando para trás a pobre moça desonrada, para caçar sua próxima vítima com rimas fatais repletas de sangue, coagulos, praia, sal, lua, sofrimento e o que mais viesse à mente para impressionar a coitada. E o mais admirável: não é que mesmo sem entender lhufas, ela realmente caia na lábia do safado? E o bonitão ainda saia com o selo e a fama de grande poeta, sendo eternamente lembrado, recitado e reverenciado.

Com base nessa segunda conclusão, tenho que aplaudir os poetas. No quesito cantada, acho que todos eles realmente merecem leão de ouro. E reverências. Muitas! Pois naquela época, em que não existia o funk, o creu, as paniquetes e as Geisas da vida, eles não só davam seus pulos pra conseguir driblar o cinto de castidade, os 550 ganchinhos do espartilho e as 10 saias, como ainda ganhavam fama e grana por isso.

E os garanhões de hoje, que só saem depois da mesada e de muito chorar para o pai emprestar o carro, achando que são os verdadeiros “comedores”... Pois é, não se fazem mais homens - e muito menos mulheres  - como antigamente.

E viva a poesia!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não é meu, mas merece ser postado!!!

Meu, me pague!

Criou daquela vez como se fosse a última.
Fez cada job seu como se fosse o único.
Pensou o dia inteiro e ficou o máximo.
Mandou pro atendimento num e-mail tímido.

Teve que refazer como se fosse máquina.
A campanha reprovada com argumentos sórdidos.
Criou mais uma vez outros roteiros mágicos.
Esperou aprovação como se fosse lógico.

O cliente não gostou e aconteceu o trágico:
pediu pra refazer como se fosse um príncipe.
Tentou reagir mas se sentiu estático.
Pensou mais uma vez no concurso público.

E virou a noite inteira parecendo um bêbado.
Comeu pizza de novo e ficou mais flácido.
Bebeu a noite inteira cafezinhos básicos.
Saiu de manhazinha se sentindo estúpido.
E ainda teve que voltar pra terminar no sábado.

É pra mandar se foder
depois pedir pra sair

É só deixar de viver
Ou sempre se repetir

Se for pra re-leiautar
Vai demorar pra sair

E aquela tal referência
Que já deixou de existir

Meu! Me pague

Nota: Gentchi, o texto não é da minha autoria, mas achei que na atual circuntância merecia muiiiiito estar aqui! E quem conhece a atual circunstância, sabe beeeem o quanto merecia!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

End And...

O final de uma história que jamais começou.

Você já leu Gabriel Garcia Marquez? Já passou Cem Anos de Solidão ou por uma tremenda Hojarasca sem ao menos perceber, porque estava entretido demais com a história do livro, ansiando pelas páginas finais que??? Não estavam exatamente lá? - pelo menos não com um final decente depois de tudo o que você leu....Se você é um leitor de Gabriel deve entender essa frustração tanto quanto eu. É como aquela fofoca bombástica que você não soube o que deu no final, ou como assistir a novela inteira sem perder nenhum capítulo, exceto o último (se bem que nesse caso, ultimamente, não se perde muita coisa), ou como quase chegar lá e, na hora H, alguém chegar primeiro. Acontece com os melhores espermatozóides - e pelo menos dessa vez você pode ficar feliz porque a vítima da frustração não foi você (ou não).

Essas sãos as melhores situações para definir o fim de uma história que nem começou. E fim.

Ps. E nem adianta reclamar. Ao contrario de todas as outras situações, essa eu avisei que seria assim.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Baseado em crises conjugais reais...

O casamento da Fernanda e do Binho nunca foi lá essas coisas. No começo, era aquele papo de morar na casa da mãe dele. A sogra! Depois, veio a educação do filho, a falta de divisão nas tarefas da casa nova, o corinthians, as dívidas... tudo acumulando.

É lógico que, aparentemente, pouca gente desconfiava. Mas, nas festas de familia, onde todo mundo já sabia das brigas, não era surpresa pra ninguem que aquele jeito mal humorado do Binho uma hora fosse resultar na inevitável separação.

Mas, não assim...Daquele jeito! E por causa Daquilo!!!

E foi um verdadeiro escandalo! Ninguém pôde deixar de ficar boquiaberto com a causa do grand finale.

- Uma foto??? Como assim uma foto???
- Pois é, Amadeu. Uma foto. E era A foto!
- Mas que foto é essa, Norminha? Foto dela com outro?
- Claro que não, Amadeu. Todo mundo sabe que a Fernanda nunca ia arrumar outro. Era só uma foto DELE!
E a Norminha suspirava, como se fosse ela própria no lugar da amiga vivendo aquele momento com A Foto. 

O Amadeu, é claro, não entendeu nada. E tratou de tirar essa história a limpo. Afinal, se até a Norminha estava louca pela foto, o problema já tinha virado pessoal.

E assim o boato se espalhou para todos os cantos. E entre todos os amigos, colegas, família e amigos dos amigos dos vizinhos dos amigos já se sabia da história Daquela Foto.

O Binho mesmo, depois de um tempo, achou até que tinha sido um exagero da sua parte. Mesmo porque, que mal podia ter em deixar que ela ficasse com a foto? Mas seu ego machista parou por aí e ele não deu o braço a torcer.

Já a Fernanda, idolatrada pelas amigas que faziam fila para ficar com Ele, ou melhor, com a Foto Dele, parecia cada vez mais feliz com a nova vida. Ela e a Foto!

Tudo bem que era um relacionamento meio complicado. Mas, depois de tanto tempo aguentando o mal humor do Binho, uma foto que não falava, não bebia, não torcia pra nenhum time de futebol e ainda ia com ela para todos os lugares, já estava mais do que bom. Sem contar que era A Foto!

E teve até uma vez que a Fernanda passou meses sumida. E dizem à lingua solta que foi por causa de uma gravidez. Da Foto!

Bom, sabe como é...vivendo com a foto do Peter Pan e na Terra do Nunca, ninguém duvida que ela virou uma impressora e eles tiveram uma linda plotagem.

Carta de Reajuste

Querido chefe, hoje pela manhã quando vinha para mais um dia de trabalho notei que o custo da passagem do ônibus subiu. Depois, passando rapidamente em uma farmácia no meio do caminho, constatei tristemente que o preço das fraldas do meu filho, do leite e do hipoglós também subiram. Chegando ao trabalho, abri meu extrato bancário e, qual não foi minha surpresa quando notei que os juros do cheque especial e o saldo negativo subiram também. Uma surpresa não tão grande quanto a que tive quando abri a minha caixa de e-mails e notei que a quantidade de trabalho por dia subiu, subiu, subiu e subiu, o que, consequentemente, subiu meu número de horas trabalhadas.
Sendo assim, envio esse comunicado para informá-lo que, em um prazo máximo de 15 dias, a minha mão de obra também irá subir. Acredito que 25% seja um valor justo, se comparado a todas as subidas diárias ao 16o. andar. É claro que, como cliente, você tem direito de protestar. Da mesma forma que eu protestei no ônibus, na farmácia, no banco e no e-mail da mulher do tráfego. Porém, a vida é assim mesmo, quando precisamos muito de um serviço, estamos fadados a pagar pelo valor que ele vale. Mas, não se preocupe, dou garantia das minhas entregas na data e de um produto final de qualidade e satisfatório aos clientes (os outros, não você).

Aguardo o seu retorno para a continuidade de nosso contrato sob os novos valores aplicados ou mesmo um declínio que poderá ser resolvido com a dispensa dos meus serviços, por meio de um acordo demissional.

Atenciosamente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Chico - O Gato III

Chico no sofá

Eu sou um gato de sorte

Meu dono é rico, me adotou

E me dá ração importada todo dia.

E daí que dá diarréia? É importada!

Chico - O Gato II

Chico fazendo inalação

Eu acho que o ar está melhorando sim fuuuu

Mês passado saí daqui só três dias fuuuuuu

Semana passada tive a quinta-feira livre fuuuuuuu

E agora vou passar o final de semana em casa, depois de 3 anos.

Fuuuuuuuu uhuuu fuuuuu
                  

Chico - O Gato I

                             
Chico dentro do tanque:

Nunca me senti tão bem.

A diarréia diminuiu e o ouvido não sai quase nada de pus.

Só essa tosse que cof cof cof cof cof

Werrrow,  cof cof cof uuughhh (desmaia)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pobre Dirção (e que atire a primeira pedra a avó que nunca ouviu essa)

Carta de desculpas

Salve Dna. Dirce.
Aí, antes de começar eu queria dizê um salve aí pra toda as mana do bairro, tá ligada, e que tudo as véia aí teje na santa paiz de Cristo, falô? Porque só Jesus salva, mano.

É o seguinte Dirção, qué dize, Dna. Dirce, não sei se a senhora vai lembra de mim, ta ligado, mas eu sou aquele mano lá que foi na porta da sua casa outro dia pedi uns troco para comprá o leite NAM do muleke, ta ligado?
E também fui eu aquele cara lá que apareceu chorando na sua porta, com os zóio vermelho, pedindo para senhora libera uma grana preu compra os Vodol pras friera da minha mãe, ta ligado? E também era eu aquele mendigo com um chulé da porr... pedindo umas comida pras criança lá na sua porta (e não é por fala não, Dna. Dirce, mas os cara da boca choraro no pudim, ta ligado, mando beins!!!).

Mas o negócio é o seguinte Dna. Dirce, eu to escrevendo pra dize que eu andei tendo aí uns pobrema com droga, ta ligado, e que na verdade eu fui mó patife, ó. Era tudo mentira as embromada que eu dava na senhora. Na verdade era pra compra os baguio mesmo, ta ligado.

Mas agora eu me redimi legal Dna. Dirce. Já que a senhora sempre financio as minhas nóia, aí, eu tô escreveno pra dize que eu to legal mesmo. Fui lá pra comunidade, conheci os mano da igreja, me curei. Encontrei Jesus Dna. Dirce. Agora eu sô um cara de Deus, ta ligado, to limpo mesmo.

E é o seguinte Dna. Dirce, a carta aqui ó, é pra pidi disculpa por tudo as presepada que eu fiz aí na sua porta, ta ligado, na humildade. Queria que a senhora aí me perdoasse, mano, porque o vicio é foda, é coisa do demo. Ele pega você pelo pescoço e te leva pras loucura, ta ligado, só dando um tirinho pra sabê. Mais eu to limpo, to limpasso.

Então é isso aí Dna. Dirce. E eu queria dize mais uma coisa também: é que a gente ta precisando de uma graninha aí pra compra umas bibria nova pra comunidade, ta ligado, com uns papel de seda do bom, assim, resistente, ta ligado, então se a senhora pudé dá uma colaborada nóis agradece de coração.

Salve aí pra todas as mana da rua. E vê cum elas também Dna. Dirce. Semana que vem eu passo pra pega a grana, ta ligado.

Na humildade e aquele abraço.
Mano, quer dizer, irmão Nicoleti.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Com que nome eu vou?

Depois do Riseclyson, da Gesiclane, da Jiucimara e do Edlysday a criatividade para o nome dos filhos realmente pode começar a falhar. E é claro que nomes comuns como Ana, Maria, Pedro ou José estão completamente fora de cogitação! Nesse caso, uma boa dica para seguir a linhagem, já que ainda faltam uns 9 ou 10 barrigudinhos pela frente, sem contar os 15 netos e 25 bisnetos, é apelar para um artifício super moderno, de úrtima mesmo, que faz todo o trabalho de composição de nomes para você.  E aí vai o endereço do grande  gênio: http://www.morroida.com.br/nome-de-pobre. É só entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair, no intervalo da novela ou o dia todo, se não tiver emprego e nem tv em casa, e depois fazer a festa. Divirtam-se.

Bom Samaritano

Marcio sempre quis ser bom para a humanidade.
Quando criança, roubou o lápis do Juninho só porque sabia que a mãe dele ia comprar um mais bonito e deixar o garoto feliz.
Roubou o gabarito de provas da escola para todo mundo saber as repostas e passar de ano. Roubou a carteira do pai com o salário de um mês inteiro porque queria que este aprendesse a ter uma renda extra.
Mais tarde, roubou também o anel de brilhantes da tia. Ele sabia que a vaidade era um pecado e queria salvar a pobre coitada desse mal.
Depois roubou o mercadinho da esquina, porque variedade demais sempre dificulta a escolha. Roubou uma garotinha e também estuprou, porque a clinica de psicologia da sua prima precisava de mais clientes. Assaltou um banco para dar crédito para a polícia, 15 minutos de fama para o delegado e um furo de reportagem para o jornal.
Foi preso. Mas de lá, roubou pela internet e também deu um golpe milionário pelo telefone, só para as pessoas aprenderem a serem menos ingênuas com essa coisa de tecnologia.
Roubou o amigo da cela para ele aprender que a vida na cadeia não é nada fácil e que, por isso, era melhor não vacilar da próxima vez. 
Cinco anos depois ele saiu. Então, matou o juiz e o promotor. Agora eram menos dois sentenciando penas pequenas a quem deveria passar o resto da vida preso.
Na fuga, ele conheceu o Joca. Fizeram amizade durante um roubo à padaria: era o mínimo que eles poderiam fazer para diminuir o alcoolismo em estabelecimentos onde famílias inteiras compram o pão de cada dia.
E assim, parceiros agora, compartilhando do mesmo ideal e do desejo de fazer o bem a todos, eles decidiram que poderiam ir muito além. Algo em nível nacional! Então decidiram entrar para a política. Roubaram com impostos, com fraudes na saúde pública e na educação, mensalinhos e mensalões.
Ajudaram não só a família, que precisava de emprego, mas toda a nação. Afinal, o que seria do carnaval e do futebol, se as pessoas não precisassem de uma boa diversão para esquecer dos escândalos e da sujeira a que se submetem todos os dias?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Abrindo o jogo e soltando a mão

Buen, depois de mostrar textos e mais textos para os coleguinhas de trabalho, baboseiras mesmo, resolvi criar esse blog que não vale muito mais que R$ 1,99. E tem de tudo: moda com combinação de havaianas duas cores, as legítimas, com meia furada no dedão, música de Chico Lopes à poderosa Stephanie, dicas de viagem: com uma imperdível farofa no Boqueirão, um passeio pela esfumaçada Heliópolis, e ainda, dicas para não deixar que a sua passagem pela Naval seja um tiro no pé. E também temos compras: um giro no Brás, um rolé na Zepa ou um sabadão na 25. Aliás, dentro desse tópico, dicas de como lidar com credores e administrar o nome sujo no serasa e no spc também entram! E gastronomia, tem sim senhor! E da boa: churrasco grego (comida importada), churrasco de gato (exótico) e dogão + suco por R$ 1,50. Esportes? Claro que tem! Afinal, você sempre pode garantir a rodada do brasileirão e a cerveja na faixa assistindo o PFC do vizinho...
Então, es eso! Aguardem novidades e "rambora". Porque enquanto todo mundo paga de bacana falando de luxo, eu quero mesmo é me esbaldar no lixo. E vamo enchê lage, porque esse puxadinho tem muito o que crescer!