quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carta de Reajuste

Querido chefe, hoje pela manhã quando vinha para mais um dia de trabalho notei que o custo da passagem do ônibus subiu. Depois, passando rapidamente em uma farmácia no meio do caminho, constatei tristemente que o preço das fraldas do meu filho, do leite e do hipoglós também subiram. Chegando ao trabalho, abri meu extrato bancário e, qual não foi minha surpresa quando notei que os juros do cheque especial e o saldo negativo subiram também. Uma surpresa não tão grande quanto a que tive quando abri a minha caixa de e-mails e notei que a quantidade de trabalho por dia subiu, subiu, subiu e subiu, o que, consequentemente, subiu meu número de horas trabalhadas.
Sendo assim, envio esse comunicado para informá-lo que, em um prazo máximo de 15 dias, a minha mão de obra também irá subir. Acredito que 25% seja um valor justo, se comparado a todas as subidas diárias ao 16o. andar. É claro que, como cliente, você tem direito de protestar. Da mesma forma que eu protestei no ônibus, na farmácia, no banco e no e-mail da mulher do tráfego. Porém, a vida é assim mesmo, quando precisamos muito de um serviço, estamos fadados a pagar pelo valor que ele vale. Mas, não se preocupe, dou garantia das minhas entregas na data e de um produto final de qualidade e satisfatório aos clientes (os outros, não você).

Aguardo o seu retorno para a continuidade de nosso contrato sob os novos valores aplicados ou mesmo um declínio que poderá ser resolvido com a dispensa dos meus serviços, por meio de um acordo demissional.

Atenciosamente.

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