Depois de um ano de namoro, aquelas
seriam suas primeiras férias juntos.
Fizeram planos, compraram mapas,
guias de viagens e malas novinhas só para combinar. Tudo parecia perfeito! Pelo
menos até as portas do elevador rumo ao topo do Empire State se fecharem.
(E tinha que ser no elevador, porque
desgraça pouca é bobagem).
Foi logo nos primeiros andares.
Enquanto ela suspirava corações, ele
respirava fundo tentando conter as manifestações do seu intestino.
Ela o olhava apaixonada. Ele
mantinha o olhar perdido em desespero.
Ela queria beijá-lo. Ele só queria
dar um peido...
E foi com pesar que sentiu algo bem
mais denso que isso escorrer pela cueca.
Sim! Em meio aquele elevador com
milhares de andares ainda por subir e lotado de gente, a cagada estava feita. E
era uma realidade estampada não só na sua cara, como na calça branca que ELA
havia escolhido para ele naquele dia.
Perdendo o último resquício de
dignidade quando um pingo amarelado ainda caiu de suas calças no chão do
elevador, ele simplesmente se entregou durante todo o restante da viagem às
manifestações mais impiedosas do seu corpo. Vômitos no Central Park, diarreia
aos pés da Estátua da Liberdade e mais cuecas borradas em meio a Soho Square. E
isso, sem falar na poltrona do avião, que é melhor nem comentar...
Foram 10 dias de sentença,
condenação e vaso sanitário, em que ele pagou todos os seus pecados. E a julgar
pela quantidade excretada, foi com juros e correção monetária.
Já ela, mesmo com tudo isso, achou a
coisa mais romântica desse mundo cuidar do seu amor e ainda ter dias extras
para ficarem juntinhos depois de seu desembarque direto para o hospital.
Ela jurava que era amor.
Ele tinha certeza que era virose.

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