sábado, 18 de agosto de 2018

O GRITO

Andei, meditei, estudei, rezei
Acreditei, tive fé, aprendi e ensinei
Hoje ajoelhada pergunto ao Senhor
Onde foi que eu errei?
A criança tem fome. A geladeira está vazia.
O trabalho começa cedo, igual todo dia.
Estou ausente. Mas sequer posso te  comprar um presente.
O sangue escorre entre as pernas. Absorvente já não tem.
No mercado o filho te pede um morango. Mas os trocados só dão para o leite do dia.
E amanhã já não sei...
Você engana... diz que os morangos ainda não estão maduros
 e lá no fundo é o seu coração quem se torna mais duro.
Tento chorar, não consigo. As lágrimas secaram.
É noite. Escurece lá fora e dentro de minha alma.
O que era amor se converte em dor. E que dor!
Injusto é olhar o outro e ver-se tão esquecido por Deus.
Mais injusto ainda é não ter um prato de comida sadia para os teus.
A criança tem fome. Sua alma tem sede.... quanta dor!!!
Esforço, me dizem... Eu sei bem o que é isso.
Desgosto também.
Nadei para longe, só para morrer ali, um passo mais além.
Olhar em volta é inútil. Busco sentido onde não tem.
Para que tudo isso? Não sei...
A cabeça vagueia culpando-se por mil coisas.
Mas o que fica é a pergunta engasgada no peito:
Onde foi que eu errei? Lágrima, já não tem...

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