terça-feira, 23 de agosto de 2016

Aquela hora em que você precisa decidir se dá ou desce...

As vezes a gente passa por tanta coisa na vida, que chega a ter a doce ilusão de que já aprendeu tudo o que podia, que dessa vez vai ser diferente e que estamos blindados para o que der e vier.
É aquela deliciosa certeza de que podemos dominar o mundo, agora com total segurança, controle físico e emocional, já que não vamos cometer de novo os mesmos erros que um dia nos fizeram sofrer.
Justamente nessa hora, nossa implacável e impiedosa professora, a Vida, vem com aquela bela reguada nas mãos (de novo), mostrando que quando se trata Dela não sabemos absolutamente nada. E mais uma vez a régua quebra forte.
Não a nossa mão. Mas a nossa cara e muitas vezes o coração.
O que acontece depois? Um grandessíssimo dèja-vu.
Você se vê de novo sofrendo, inseguro, perdido e procurando por respostas de perguntas nunca existiram. Exatamente como aconteceu da primeira vez.
O tempo passa, as pessoas mudam e, no final das contas, o único jeito de minimizar os impactos das quedas, que continuam as mesmas, é aprender de uma vez por todas que não sabemos absolutamente nada sobre nossos próprios sentimentos.
E se serve de consolo, saber que não se sabe nada já é um bom avanço de caminho dentro desse doloroso processo de estudar a vida, mas nunca aprender.
Eu sempre digo, depois de ter lido isso num livro, que somos apenas seres espirituais vivendo experiências terrestres. Experiências, como o nome já diz, são experimentos normalmente novos e inéditos. Não adianta procurar uma fórmula para não sofrer ou se blindar. Nestas horas, valem muito mais o feeling e o discernimento para decidir se dá ou desce. Se você para antes de quebrar a cara ou se segue em frente e paga para ver.
E se decidir seguir, já sabe né? Ou melhor, não sabe...
Reza para dar tudo certo ou recomeça do zero.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Um vício pra pagar promessa

Já reparou que quando a gente tá desesperado, naquele nível que não tem mais para quem apelar, a gente apela para o santo? Vira devoto fervoroso de tudo quanto é entidade? O mais religioso dos religiosos? Pede de joelhos, pede sentado, pede deitado, pede no banheiro, pede no carro, pede no busão, pede até quando não deve. Mas normalmente pede porque deve, mesmo. E muito!
Nessa hora, uma coisa que as pessoas costumam fazer muito, além de pedir, é subornar o santo. Dá-se a isso o nome de Promessa. Mas, cá entre nós, não deixa de ser uma forma mascarada de pagar propina pela graça alcançada.
E promessa para ser bem paga, tem que ter sacrifício! Senão o santo não gosta, não... Tem que largar o vício, tem que fazer esforço, tem que ajoelhar e rezar. Da porta da igreja até o altar. Duzentos metros. Ralando o joelho. Mas essa daí já tá bem batida. Se não for para abandonar o vício, o sacrifício tem que ser, no mínimo, bem criativo*.
E promessa é assim: todo mundo um dia faz. Quem nunca fez, um dia vai fazer. Não se engane, amigo. Seu dia chega. Às vezes, mais de um vez. O meu chegou. Foi justamente por essas semanas...
E como desgraça pouca é bobagem, não bastasse um problema para resolver, tive logo 2: cadê o kcete do vício para prometer que ia largar logo depois da graça alcançada?
Um ano sem sexo? Não dá, acabei de me separar.
Roer unhas? Já parei faz tempo e uso aparelho. Mesmo quando eu quero roer, não consigo.
Para de beber? Também não rola. Estou de de dieta faz tempo. Daí, não seria sacrifício, só parte do tratamento. E aí já inclui também o chocolate, o refri e todas as gordices gostosas que eu também já cortei.
Resumindo: fodeu!!!
Não tenho nem um cacete de um vício para pagar uma promessa.
Agora eu, que só tinha um problema - e que já não era pequeno - por causa da propina para o santo, acabei ficando logo com dois.
Sem muito o que fazer, o jeito foi dar um rolê na varanda do trabalho para arejar a cabeça. Tava ali... destraída, nervosa, ansiosa. Quando eu menos percebi, já tinha filado o cigarro de um amigo. E lá tô eu, fumando o tal cigarro...
Mas só até conseguir a graça almejada!!! Eu prometo!
Depois disso eu paro.



(*Na Basílica da Aparecida do Norte não faltam referências. #ficaadica).

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher, sim! E muito.


Frágil, delicada e sensível?
Carregamos nove meses um outro ser dentro de nossas barrigas, damos conta da casa, do trabalho, da criança e, no final, ainda damos.
Andamos quilômetros em cima de um salto 12, ignorando bolhas e joanetes que possam insistir em doer.
Temos TPM e sangramos uma vez por mês, aguentando cólica, dores e pessoas ao redor dizendo que estamos chatas e mau humoradas.
Cozinhamos, ajeitamos a casa e a nós mesmas, mesmo depois de um dia todo de trabalho.
Lavamos, passamos, cozinhamos, damos conta do serviço pesado mesmo quando dizem que mulher não deve carregar peso.
Brigamos bravamente com a balança, com a vontade de comer chocolate e somos mestres no auto controle mesmo que em alguns momentos possamos parecer completamente descontroladas.
Trocamos o pneu do carro, a lâmpada, a resistência do chuveiro, o gás e o galão de água se precisar.
Aprendemos a abrir o pote de azeitonas.
E sabe o que tudo isso quer dizer?
Que somos mais mulher que muito homem.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Jujoxaaaa (Sugestão de Thabata Fonseca - tema: meaaau e frase clássica da Narcisa "ai que badalo, ai que loucura")


Julimar foi um dos caras mais felizes que eu já conheci.
Gostava de velhinhos, crianças e animais.
Dava bom dia para as pessoas na rua, jamais sentava no assento reservado do metro e nunca saia do elevador antes que todos já estivessem descido.
Era moço de sorriso fácil, de muitos amigos, gente da gente, sabe? Queria ser doutor...
E por tudo isso, não é de se estranhar o tamanho pavor da Chica quando o encontrou numa manhã chorando copiosamente na beira da cama. Um susto que só ficou maior quando, entre soluços, ele também começou a gargalhar, puxar os cabelos e babar.
A perturbação estampada nas emoções desenfreadas de Julimar era tão visível que chegava quase ao ponto de se tornar palpável.
Mas por quê? Perguntava Chica.  Quem, nesse mundo todo de meu Deus poderia ter feito um mal tão grande a esse moço? Mas Julimar não falava. Apenas ria, sorria e babava feito um louco. E essa era a frase exata: feito um louco.
Chica, em pânico, não pensou duas vezes antes de ligar para o sanatório. Pegou logo o primeiro que achou no google.
E foi de cortar o coração ver o pobre do Julimar partindo, amarradinho daquele jeito, e ainda assim rindo e chorando feito criança.

Ontem fez exatos 3 meses que ele se foi. E a Chica, ainda se sentindo meio culpada, finalmente criou coragem de ir até lá visitá-lo.
Voltou até mais animada. “Ele está cantando” dizia ela para uma vizinha amiga. E ele realmente estava. Cantava Atirei o pau no gato com uma emoção jamais vista em Bambalalão nenhum. E ainda fazia questão de enfatizar o meaaaaau.

E tudo, dizia o psiquiatra, por causa daquele maldito gato do vizinho que subiu no seu telhado quando Julimar estava quase conseguindo transar com a loira descomunal que ele vinha pelejando há meses para levar para cama.
Ele já tinha passado da fase de pegar na mão, dos amassos no sofá e, justamente naquele dia, estavam sozinhos e pelados no quarto. O Julimar em ponto de bala, de cara pro gol, a Loira em posição de “vem cá meu nego”, até que o gato soltou um tenebroso meaaaau daqueles que só um bichano no cio pode fazer – o mesmo meaaaauuu que o aterrorizava todas as noites.
O resultado foi coisa triste de se ver, viu? Julimar broxou, a loira se assustou e, não bastasse tudo isso, ainda se mandou espalhando no bairro todo que o coitado do Julimar era Jujoxa - Juju, o broxa.

Éh... dizia o psiquiatra.... Depois disso a vida do Julimar miou de vez. O gato subiu no telhado, sabe? 

E o próprio Julimar não podia nem cogitar a ideia de uma alta para voltar para a casa. Sabe como é, né... Gato escaldado tem medo de água fria... – ele falava aos colegas do sanatório. E gargalhava compulsivamente.

Já a Narcisa, amiga da Chica, ainda fazia questão de terminar a história que repassava para o resto da vizinhança dramatizando o máximo que podia: ai que badalo, ai que loucura – dizia ela...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Toma essa! (sugestão de Cris Andreozzi)



Ahhh, a adolescência...
Quem não se lembra com saudade (ou com raiva, mesmo) daqueles tempos 
em que comer um pacote de passatempo recheada assistindo a sessão da tarde poderia render, no máximo, uma ou duas espinhas....
Ou daquela calça 38 que você vestia sem nem se dar conta do quão importante eram aqueles numerozinhos na etiqueta da calça.
A maldita calça 38!!!
A calça 38....
Aquela calça 38...
Quando foi mesmo que eu deixei de usar?

Não me lembro exatamente uma data, mas prefiro pensar que foi no mesmo momento em que as baladas ficaram mais frequentes, o chope era Brahma, era gelado e eu podia beber a vontade porque sustentava meus vícios...

Numa época em que a vida ficou mais interessante, mais adulta e, petisco vai, petisco vem, mais gordinha também.

E quem é que pensa em calça 38 nessa hora em que tudo o que se quer é justamente arrancar as calças para o gatinho que você passou horas tentando hipnotizar na balada?
(Porque nessa época você também pensa que tem poderes especiais de sedução, sem nem sonhar que tudo estava concentrado nos fiozinhos poderosos da calça 38...)

Fato é que, uma vez fora da calça 38, sua vida nunca mais é a mesma.

O espelho vira seu pior inimigo depois da balança.
Celulites e estrias passam a ser itens de série na sua bunda
Sua refeição se resume a grelhado e salada (chocolates, bolachas e sorvetes, mas ninguém precisa saber...)
Canga ganha mais importância que protetor solar.
E qualquer vadia safada que entre numa calça 38 se transforma em sua maior rival...
E isso sem falar nos peitos. Esses traidores de uma figa que poderiam ser sua única salvação e agora mas não passam de duas muxibas caídas...

E aí, amiga, dadas as circunstâncias, só resta uma coisa a fazer, pelo menos até você ter a grana toda para lipoaspiração, carboxterapia, drenagem linfática, modeladora e mais pacotes oferecidos pela Onodera e Doctor Ray:

Bora lá pedir um chope com as amigas (que também não usam 38), ficar bêbada e esquecer tudo isso!

Com muita sorte, você ainda descola um peguete na balada que faz você acreditar de novo que mais vale uma calça número qualquer no chão do motel, do que uma 38 no corpinho solitário...

terça-feira, 5 de março de 2013

Ihhh, deu merda! (sugerido por Renato "Saru")

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Depois de um ano de namoro, aquelas seriam suas primeiras férias juntos.
Fizeram planos, compraram mapas, guias de viagens e malas novinhas só para combinar. Tudo parecia perfeito! Pelo menos até as portas do elevador rumo ao topo do Empire State se fecharem.
(E tinha que ser no elevador, porque desgraça pouca é bobagem).

Foi logo nos primeiros andares.
Enquanto ela suspirava corações, ele respirava fundo tentando conter as manifestações do seu intestino.
Ela o olhava apaixonada. Ele mantinha o olhar perdido em desespero.
Ela queria beijá-lo. Ele só queria dar um peido...
E foi com pesar que sentiu algo bem mais denso que isso escorrer pela cueca.

Sim! Em meio aquele elevador com milhares de andares ainda por subir e lotado de gente, a cagada estava feita. E era uma realidade estampada não só na sua cara, como na calça branca que ELA havia escolhido para ele naquele dia.

Perdendo o último resquício de dignidade quando um pingo amarelado ainda caiu de suas calças no chão do elevador, ele simplesmente se entregou durante todo o restante da viagem às manifestações mais impiedosas do seu corpo. Vômitos no Central Park, diarreia aos pés da Estátua da Liberdade e mais cuecas borradas em meio a Soho Square. E isso, sem falar na poltrona do avião, que é melhor nem comentar...

Foram 10 dias de sentença, condenação e vaso sanitário, em que ele pagou todos os seus pecados. E a julgar pela quantidade excretada, foi com juros e correção monetária.

Já ela, mesmo com tudo isso, achou a coisa mais romântica desse mundo cuidar do seu amor e ainda ter dias extras para ficarem juntinhos depois de seu desembarque direto para o hospital.

Ela jurava que era amor.
Ele tinha certeza que era virose.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Peitos


Maria não tem peitos. Eduarda tem.
Maria nunca foi promovida. Eduarda é promovida mensalmente.
Maria arruma namorado uma vez por ano. Eduarda transa todos os dias. Com diferentes pessoas.
Maria cumprimenta de cabeça baixa. Os peitos de Eduarda não permitem que ela abaixe a cabeça.
Maria vive com a conta bancaria no vermelho. As únicas coisas vermelhas de Eduarda são: unhas, calcinhas e batons.
Maria sempre quis se dar bem. Eduarda sempre se dá bem.
Maria Eduarda era o seu nome. Mas a Maria ficou há anos no consultório, justamente naquele dia em que a Eduarda saiu, trocando a Maria por 280ml de cada lado.
Peitos são assim, quem tem, tem!
Bora lá comprar os seus...