(Inspiração pós-férias. É isso que dá retornar à vida no proletariado)
Sempre achei poesia interessante. Mas confesso, e talvez isso seja um atentado ao pudor cultural, que nunca foi pela mistureba de palavras que jamais entendi ou sequer tentei. É claro que palavras floreadas são lindas, quanto a isso não há dúvidas - e me refiro a cada uma delas isoladamente -, mas o fato é que depois de ler tantas poesias (o que agora eu posso fazer com ainda mais frequência e sem muito esforço nas paredes do metrô), o que mais me fascina são as conclusões a que os próprios poetas me fizeram chegar.
A primeira: comecei a acreditar que muito provavelmente partiu daí a idéia de se lecionar cursos de psicologia nas universidades.
E a segunda, mais óbvia: que tudo não passava de um muito-criativo-e-funcional disfarce às cantadas baratas. Um jeito mais do que cafajeste e típico dos homens de se fingir morrer de amor só para desvirginar a pobre moça criada sob 6 espartilhos, 10 saias, 1 véu e um cinto de castidade com o único sonho de ser uma esposinha submissa e uma boa mamãe. Aliás, essa é que mais me convence. Afinal, a obsessão masculina para levantar as 10 saias pode muito bem ser interpretada ingenuamente pelo próprio cara como um amor doentio. Coisa que obviamente só durava até ele descobrir, depois de conseguir, que tudo não passava de um simples capricho do seu ego masculino.
E então, lá seguia ele novamente, o nobre poeta, deixando para trás a pobre moça desonrada, para caçar sua próxima vítima com rimas fatais repletas de sangue, coagulos, praia, sal, lua, sofrimento e o que mais viesse à mente para impressionar a coitada. E o mais admirável: não é que mesmo sem entender lhufas, ela realmente caia na lábia do safado? E o bonitão ainda saia com o selo e a fama de grande poeta, sendo eternamente lembrado, recitado e reverenciado.
Com base nessa segunda conclusão, tenho que aplaudir os poetas. No quesito cantada, acho que todos eles realmente merecem leão de ouro. E reverências. Muitas! Pois naquela época, em que não existia o funk, o creu, as paniquetes e as Geisas da vida, eles não só davam seus pulos pra conseguir driblar o cinto de castidade, os 550 ganchinhos do espartilho e as 10 saias, como ainda ganhavam fama e grana por isso.
E os garanhões de hoje, que só saem depois da mesada e de muito chorar para o pai emprestar o carro, achando que são os verdadeiros “comedores”... Pois é, não se fazem mais homens - e muito menos mulheres - como antigamente.
E viva a poesia!
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
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